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Evergrande Crise na China Estouro da Bolha Entenda o que está acontecendo!

Evergrande? Crise na China? Estouro da Bolha? Entenda o que está acontecendo!

Nas últimas semanas, muito tem se falado sobre a crise da gigantesca incorporadora chinesa Evergrande.

Em um primeiro momento a Evergrande conseguiu rolar a sua dívida, evitando assim o possível calote que era temido por todo o mercado, mas se engana quem acha que o problema está resolvido, longe disso.

Afinal a dívida tomada pela empresa é gigantesca e muitos já se perguntam se esse seria o estouro da bolha imobiliária chinesa.

E pior uma crise como essa poderia se tornar sistêmica e até ser maior do que a crise financeira de 2008.

Para você entender melhor o que está acontecendo, vamos primeiro falar sobre o mercado imobiliário chinês, até 1998 o mercado imobiliário chinês era inexistente, o governo provia a moradia das pessoas e não existia a possibilidade de compra e venda de imóveis.

Mas a partir desse ano o governo chinês percebeu que poderia utilizar o mercado imobiliário como um dos motores de crescimento para a economia da China, passando a liberar a comercialização dos imóveis e inclusive a incentivar e fomentar esse mercado através de linhas de crédito especiais e redução dos impostos.

Se por um lado a estratégia deu muito certo gerando muita riqueza e empregos para o país, afinal hoje o mercado imobiliário representa cerca de 30% da economia da China.

Por outro lado, ele acabou gerando uma bolha imobiliária gigantesca, que muitos acreditam que esteja prestes a estourar.

Na China ter habitação própria se tornou sinal de status e como lá existem poucas opções de investimento, muitos chineses começaram a investir em imóveis, com o aumento da demanda, os preços passaram a subir, o que fez com que os chineses passassem a investir ainda mais. Afinal os imóveis adquiridos passaram a se valorizar e muito.

As construtoras vendo toda essa demanda do mercado, passaram a se alavancar para acelerar ainda mais o crescimento e por consequência aumentaram e muito o seu endividamento.

Todo esse incentivo e especulação do setor imobiliário gerou um excesso de moradias, existem hoje 65 milhões de moradias vagas na China. Para você ter uma ideia melhor do tamanho desse problema, atualmente temos cerca de 52 cidades fantasmas na China.

cidades fantasmas china

São cidades que foram totalmente construídas de forma planejada e que não mora praticamente nenhum habitante. Inclusive essas cidades foram construídas pensando no potencial turístico, algumas são cópias de cidades conhecidas do mundo como Paris na França ou Veneza na Itália.

Pelo menos 96% dos chineses possui uma residência ou mais. Ou seja, os chineses passaram a comprar habitações como forma de investimento e não como moradia, o problema é que o incentivo era tanto que possivelmente se esses mesmos chineses quiserem futuramente vender suas casas, talvez não encontrem compradores.

A grande maioria desses chineses inclusive investiu em imóveis pensando em sua aposentadoria.

78% do patrimônio total dos chineses está em imóveis. Já o tamanho total dessa bolha, ou seja, a soma de todas as residências chinesas é incríveis 51 trilhões de dólares, isso representa 70% de toda a riqueza da China.

Resumindo o governo chinês vende as terras para as construtoras, as construtoras emprestam e muito dos bancos para financiar as construções, muitas obras ficaram prontas, mas sem compradores, os chineses vem a anos comprando mais imóveis do que precisam para morar, apostando na valorização destes e aqui temos a receita perfeita para uma bolha.

Até então esse problema era conhecido por todos, mas de certa forma não trazia tanto medo para o mercado e para os investidores, até o nome Evergrande passar a ser conhecido mundialmente.

Evergrande

A Evergrande é a segunda maior incorporadora da China, com cerca de 1300 projetos em construção em mais de 280 cidades.

Ela se tornou tão grande que passou a investir inclusive em outras áreas, sendo proprietária de empresas de mídia, uma montadora de carros elétricos, um time de futebol, entre outros empreendimentos.

Já em matéria de dívida a Evergrande possui a maior dívida do mundo entre as incorporadoras. O valor que ela deve passa da casa dos 300 bilhões de dólares.

O problema da Evergrande começou com o declínio na demanda por imóveis, aliado a isso o governo chinês passou a implantar uma série de regulações no setor que pretendiam reduzir o endividamento das empresas e barrar toda essa especulação do mercado, mas por consequência, limitou a entrada de dinheiro para a incorporadora.

Uma das limitações foi a proibição da pré-venda de empreendimentos, o que impactou em cheio a Evergrande.

A dívida da Evergrande tornou-se quase impagável e agora ela começou a dar sinais que não irá conseguir honrar as suas dívidas.

A Evergrande deve dinheiro para 128 bancos e mais de 121 instituições não bancárias. O preço de suas ações caiu cerca de 85% no último ano.

Uma possível falência da empresa, levaria não só esses bancos e instituições financeiras a um grande prejuízo, como também os investidores detentores de suas ações.

E por se tratar de uma dívida tão grande poderia levar a um risco sistêmico semelhante ao ocorrido em 2008 ou talvez até pior.

Como vários bancos emprestam dinheiro de outros bancos, o não pagamento da dívida poderia impactar toda a cadeia bancária, além disso muitas empresas prestam serviços e são fornecedoras da Evergrande, possivelmente muitas seriam fortemente impactadas.

Com os bancos afetados pela falência haveria também uma escassez de liquides no mercado causando um efeito dominó principalmente com as outras incorporadoras que necessitam desses recursos.

E por falar em liquidez, como a Evergrande não pode se endividar ainda mais, essa falta de liquidez fez com que metade dos empreendimentos parassem por falta de caixa piorando ainda mais a situação.

Aliado a isso temos cerca de 1 milhão e meio de famílias que pagaram por seus imóveis e agora não sabem se irão recebe-los.

E por fim temos cerca de 200 mil empregados que agora não sabem se ainda terão os seus empregos mantidos.

trabalhadores chineses

O problema é tamanho que talvez a Evergrande não consiga sair dessa sozinha e aí vem a grande dúvida. Será que o governo chinês irá salvar a empresa ou vai deixar ela falir mesmo assim.

Se o governo chinês salva a empresa, ele estará sinalizando para as outras empresas do mesmo setor que elas podem continuar tomando dívida sem se preocupar, mas por outro lado se ele não salva a empresa o prejuízo pode ser muito maior para o país.

Muitos analistas acreditam que o governo chinês não deixará a falência da empresa ocorrer tomando medidas como uma reestruturação da empresa através da sua estatização. Ou seja, o governo assume a empresa e bota a ordem na casa.

Isso provavelmente traria um certo impacto para a China, porém muito menor do que deixar a Evergrande ir à falência.

Como o sistema bancário da China é menos dependente do restante do mundo, mesmo um colapso por lá, possivelmente não se agravasse no restante do sistema financeiro do mundo.

Efeitos para o mundo

Em caso de falência da Evergrande os mercados globais seriam afetados pela queda de demanda dos chineses por commodities ou mesmo por itens de consumo. Puxando o PIB e as bolsas do mundo todo para baixo.

Efeitos para o Brasil

Já para o Brasil o efeito seria ainda pior, como a China é o principal cliente nosso, certamente as exportações cairiam de forma vertiginosa, puxando o PIB para baixo, mas além disso gerando também uma entrada menor de dólares na economia fazendo com que a cotação da moeda americana disparasse.

O que vai acontecer?

Por hora, acreditasse que isso não irá acontecer, mas o que já é dado como certo é uma desaceleração do setor imobiliário chinês, o que já impacta diretamente o preço do minério de ferro e deve continuar impactando nos próximos meses.

Como proteger os seus investimentos?

Dito tudo isso, você deve estar se perguntando como proteger os seus investimentos.

Não existe uma formula magica e essa nem é uma recomendação de investimento, mas a melhor forma de se preparar para crises e possíveis problemas é sempre a diversificação.

E o mais importante não só em ativos dentro do Brasil, mas também fora, ter investimentos em dólar em cenários como esse ajudam a proteger a sua carteira.

Ouro também pode ser um bom ativo de proteção, além disso ainda existem as criptomoedas, mas por possuírem uma grande volatilidade, você não deve estar muito exposto a elas principalmente se não tiver grande experiência com esse tipo de ativo.

Crises também geram oportunidades e é preciso ter um bom caixa para aproveita-las, mas lembrando, nunca confunda reserva de emergência com reserva de oportunidade. Inclusive tempos um post aqui no blog falando tudo sobre reserva de emergência e reserva de oportunidade: RESERVA DE EMERGÊNCIA O que é e onde investir? O que é RESERVA DE OPORTUNIDADE?

Em suma a Evergrande deve ser vista somente como a ponta do iceberg, ela despertou os olhares do mundo para um problema muito mais grave, provavelmente o governo chinês não deixará a empresa ir à falência, mas isso serviu especialmente para trazer luz ao problema da bolha imobiliária chinesa.

Por enquanto só nos resta aguardar e se preparar para os desdobramentos possíveis disso.

JOE BIDEN PRESIDENTE! E AGORA? O que muda para o Brasil? (Eleições Americanas 2020)

E acabaram as tão aguardadas eleições americanas de 2020 e o grande vencedor foi Joe Biden!

Mas o que isso significa para o mercado financeiro global e mais especificamente para o Brasil?

 

Sobre a bolsa de valores caso você queira saber mais a respeito, confere no link abaixo o post que eu fiz explicando tudo sobre ela: Bolsa de valores: O que é e como funciona

Como os Estados unidos é a maior potência econômica do mundo, as eleições por lá tem o poder de interferir no mundo todo, inclusive aqui no Brasil.

Por sinal, eu acho que foram as eleições mais comentadas da história lá fora e aqui Brasil.

Depois de quase um mês em andamento, chegou ao fim no dia 3 de novembro o processo eleitoral americano. Processo esse que foi marcado por brigas e acusações entre os candidatos.

Estavam concorrendo ao cargo de presidente da maior economia do mundo o então presidente republicano Donald Trump e o ex-vice-presidente da era Obama, o democrata Joe Biden.

Após uma campanha tumultuada em meio a uma pandemia, com antecipação de votos e votos pelos correios.

*** Imagina se isso acontece aqui no Brasil, enviar voto pelos correios….***

A votação chegou ao fim no dia 3 de novembro e aí começou o processo de contagem de votos que se estendeu e se estenderá ainda por alguns dias, pelo fato da demora da entrega dos votos pelo correio, mas com a contagem atual já temos um vencedor.

Inclusive a Web ficou repleta de memes com a demora na contagem dos votos…

O democrata Joe Biden é o 46º presidente dos Estados Unidos, assumindo com recorde de votos e superando a marca que até então era de Obama. O que demonstra que mesmo em meio a pandemia, o americano saiu de casa e foi votar, lembrando que lá o voto não é obrigatório.

Joe Biden pega o país dividido e em meio a uma crise financeira e sanitária gerada pela pandemia e com vários desafios pela frente.

Donald Trump por sua vez contesta na justiça a votação e esse processo pode se estender pelos próximos dias ou mesmo semanas, mas não devem alterar os resultados das urnas.

Mas afinal com Biden no poder o que muda para a economia global?

Ao meu ver como o senado se manteve republicano, isso deve equilibrar os poderes por lá e não trazer grandes mudanças inicialmente, os discursos e incertezas geradas pela judicialização do processo podem trazer certa volatilidade no mercado inicialmente.

Agora quando Joe Biden assumir, o que pode causar um impacto forte nos mercados financeiros no mundo todo inicialmente, será se até lá não tivermos uma vacina, o número de mortes e infectados estiver alto e ele resolva optar por um lookdown.

Isso causaria enormes quedas nas bolsas do mundo todo, mas ainda não temos como saber se isso realmente vai ocorrer.

Referente a política externa, Biden possui um tom mais conciliador, devendo retomar os laços com a união europeia e apaziguar a guerra comercial com a China. Isso será benéfico para os mercados globais como um todo.

Já na economia, Biden deixou claro em sua campanha que deve aumentar impostos sob empresas e grandes fortunas, com um senado republicano isso seria mais difícil de passar inicialmente, mas caso passe as bolsas por lá sofreriam quedas.

Joe Biden também pretende aumentar a política social americana e até mesmo resgatar e expandir o programa de saúde pública conhecido como Obamacare.

Além disso ele quer aumentar os gastos públicos como forma de estimular a economia na retomada.

Essas medidas não favorecem o mercado por lá, se por um lado para a bolsa americana pode não ser tão bom, isso pode trazer um fluxo de investimentos nas bolsas dos países emergentes, que poderia ou não incluir o Brasil, tudo vai depender de como vamos encara o problema fiscal e as reformas por aqui.

Falando em bolsa, a bolsa de valores daqui pode se beneficiar com esse fluxo para os emergentes, lembrando que o investidor estrangeiro tem saído da bolsa daqui, isso poderia se reverter, já por lá as empresas tech como Amazon, Google, Facebook, Netflix, entre outras podem sofrer em um primeiro momento.

Esse fluxo de dinheiro para os emergentes também deve fazer com que o dólar fique mais baixo. Com o dólar mais baixo, as empresas exportadoras do Brasil, podem sofrer um pouco, mas dificilmente no curto prazo o dólar volte para os patamares pré-pandemia.

Outra medida que o Joe Biden deve tomar para a retomada da economia americana é investimento em infraestrutura, isso pode fazer o minério de ferro se valorizar e junto dele as siderúrgicas.

Biden também deve retirar os subsídios para a produção de combustíveis fosseis, pode fazer com que o petróleo suba no longo prazo.

Então economicamente falando, a vitória de Biden pode não ser ruim para o Brasil, se logico o Brasil fizer o dever de casa e cuidar do rombo fiscal.

Agora falando diretamente das relações entre o Brasil e os Estados Unidos, Biden tem um forte lado ambientalista e já mencionou que quer criar um fundo para proteger a Amazônia, Bolsonaro não gostou, mas nunca chegou a existir um atrito entre os dois.

Logicamente que como Bolsonaro tinha relações mais estreitas com o Donald Trump isso se refletia na relação entre os dois países sob formas de acordos bilaterais e no apoio dos Estados Unidos na entrada do Brasil na OCDE. Veja Joe Biden nunca falou que era contra, mas também nunca se disse a favor então nesse quesito não sabemos o que pode acontecer.

Agora voltando ao lado ambiental de Joe Biden, devido aos nossos problemas com a Amazônia e o Pantanal, isso pode sim gerar atrito e até sansões por parte dos Estados Unidos. Então o Brasil precisará demonstrar esforço e trabalho para controlar as queimadas e o desmatamento.

Teremos que aguardar até o próximo ano para ver como esse cenário irá se desenhar, mas de todo modo o Brasil pode ou não se beneficiar, tudo vai depender de como vamos encarar os nossos problemas internos.